Viver entre margens: sentidos de ser ribeirinho sertanejo no Baixo São Francisco

Resumo

O artigo apresenta os sentidos de Ser Ribeirinho Sertanejo. A construção dessas significações decorreu da convivialidade expressa no relacionamento com o rio e com o sertão. Apresentamos como referencial de investigação empírica o baixo curso do rio São Francisco inserido no domínio das terras semiáridas, entre os estados de Alagoas e Sergipe. Neste processo investigativo, recorremos à entrevista semiestruturada, buscando envolver as terras, as águas e as gentes que caracterizam e dão singularidade a um ambiente socioeconômico, cultural e identitário marcado pela profunda interação do homem com a natureza. Aportados nas bases da fenomenologia, buscamos apresentar o rio São Francisco como lugar e território qualificados pelas experiências, pelas práticas cotidianas e pelas relações de pertencimento que caracterizam os sentidos de ser-no-mundo e de ser ribeirinho sertanejo.

Biografia dos Autores

Cícero Bezerra da Silva, Universidade Federal de Sergipe (UFS), Brasil

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Maria Augusta Mundim Vargas, Universidade Federal de Sergipe (UFS), Brasil

Professora do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

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Publicado
01/09/2019
Como Citar
SILVA, Cícero Bezerra da; VARGAS, Maria Augusta Mundim. Viver entre margens: sentidos de ser ribeirinho sertanejo no Baixo São Francisco. Geosaberes, Fortaleza, v. 10, n. 22, p. 177 - 188, set. 2019. ISSN 2178-0463. Disponível em: <http://geosaberes.ufc.br/geosaberes/article/view/751>. Acesso em: 14 nov. 2019. doi: https://doi.org/10.26895/geosaberes.v10i22.751.
Seção
ARTIGOS